Luzes e Tecnologia
Noesis nos Media
03 junho 2020

Alexandre Rosa: «É muito difícil prever o que será esse “novo normal”», in Líder


Noesis nos Media
03 junho 2020

Um estilo de liderança lúcido e uma estratégia bem delineada permitiram ao CEO da Noesis enfrentar a crise com agilidade. Alexandre Rosa empenhou-se em garantir de imediato a segurança das pessoas e salvaguardar os postos de trabalho, viu-se obrigado a abrandar os novos negócios e a internacionalização, mas não descurou as oportunidades. Agora, é tempo de capitalizar a aceleração digital e apostar cada vez mais em temas que já estavam na ordem do dia.

O “novo normal” será mais digital, provavelmente iremos trabalhar de forma diferente e experimentar novas formas de relacionamento. Estas são algumas das previsões do CEO da Noesis, ainda que faça questão de sublinhar o quão difícil é fazer conjeturas, nesta fase.

Numa organização com cerca de 900 colaboradores e um volume de negócios perto dos 50 milhões de euros, Alexandre Rosa está consciente que o seu papel enquanto líder tem que ser reinventado, mais do que nunca.

Nos últimos anos, enfrentou diversos desafios, de crescimento, crises económicas, internacionalização, abertura de novos mercados, novas áreas de negócio, para além da própria evolução no mercado de trabalho, do perfil dos novos colaboradores e das novas formas de trabalhar. «Esta situação que atravessamos apresentou também outros desafios, nomeadamente ao nível da comunicação e da necessidade de proximidade com as nossas equipas, algo a que toda a equipa de direção, responsáveis de unidade, gestores e team leaders estiveram especialmente atentos», conta à Líder, referindo ainda com satisfação que a adaptação da organização e das equipas a este cenário foi rápida e com uma resposta excelente.

A aceleração digital a que se assiste, a emergência de novos hábitos de consumo, o aumento exponencial das interações nos canais digitais, os desafios colocados às organizações em termos de produtividade, os ciberataques em número crescente, o aumento da quantidade de dados à disposição das organizações, a necessidade de desenvolver soluções de forma ágil e com implementação rápida representam oportunidades para uma organização como a Noesis que atua precisamente nestas áreas, nos últimos 25 anos.

Numa empresa mais do que habituada a demonstrar grande capacidade de inovação tecnológica e antecipação de tendências, não se perde o foco na proximidade com os clientes, faz ainda questão de ressalvar. Por agora, limam-se arestas, ajustam-se planos e age-se em função dos cenários previstos.

Ainda que seja uma incógnita a forma como se vai sair da crise, quais é que são, para si, os argumentos de sucesso para a vossa reinvenção organizacional na Era, do que agora designam, do “novo normal”?

É muito difícil, nesta fase, prever o que será esse “novo normal”. Sabemos que será mais digital, seguramente, que provavelmente iremos trabalhar de forma diferente e experimentar novas formas de relacionamento com os nossos clientes e parceiros. A Noesis tem pautado a sua atuação no mercado, nos últimos 25 anos por uma grande capacidade de, por um lado, acompanhar a inovação tecnológica e ser capaz de antecipar tendências e, por outro, estar muito próximo dos seus clientes e contruir uma base de clientes sólida e fidelizada. Esses fatores continuarão a ser a nossa principal diferenciação no mercado e, acredito, os elementos críticos de sucesso para o futuro.

Como é que as empresas devem pensar o “day after”?

Devem ter a capacidade de reinventar processos e apostar ainda mais na transformação digital dos seus negócios. A COVID-19 foi um agente acelerador dessa transformação, em muitos casos, forçada. Agora é tempo de capitalizar essa aceleração e apostar cada vez mais em temas que já estavam na ordem do dia, antes desta crise, como a temática dos Dados e analítica, Inteligência Artificial, automação, desenvolvimento ágil de soluções e software ou a especial atenção a temáticas como Customer Experience e a importância de acompanhar a jornada dos seus clientes, apostando na otimização desses processos e da interação com os mesmos.

Fala-se muito na reinterpretação do papel dos líderes. Sente que o seu papel tem exigido novas competências?

Numa organização com cerca de 900 colaboradores e um volume de negócios perto dos 50M€, o papel de um líder tem que ser constantemente reinventado. Nos últimos anos enfrentámos diversos desafios, de crescimento, crises económicas, internacionalização, abertura de novos mercados, novas áreas de negócio, para além da própria evolução no mercado de trabalho, do perfil dos novos colaboradores e das novas formas de trabalhar. Esta situação que atravessamos apresentou também outros desafios, nomeadamente ao nível da comunicação e da necessidade de proximidade com as nossas equipas, algo a que toda a equipa de direção, responsáveis de unidade, gestores e team leaders, estiveram especialmente atentos. A adaptação da organização e das nossas equipas a este cenário foi rápida e a resposta de todos foi excelente.

Ainda há demasiadas incertezas, mas é certo que as organizações têm de ser ágeis, com boas doses improvisação. Qual é o vosso plano de ação e principais prioridades para a Era Pós-COVID-19?

Atuando a Noesis nas áreas da tecnologia e da transformação digital o plano passa por capitalizar as oportunidades que esta situação gerou no mercado. A aceleração digital a que assistimos, a emergência de novos hábitos de consumo, o aumento exponencial das interações nos canais digitais, os desafios colocados às organizações em termos de produtividade, os ciberataques em número crescente, o aumento da quantidade de dados à disposição das organizações, a necessidade de desenvolver soluções de forma ágil e com implementação rápida, representam oportunidades para uma organização como a nossa que atua e é especialista precisamente nessas áreas. Estamos prontos para responder aos desafios e para continuar a acompanhar os nossos clientes nessa jornada.

Paralelamente, apesar da crise, continuamos a investir na expansão do nosso negócio e a apostar na internacionalização. A entrada no mercado espanhol com algumas das nossas soluções, como Low-Code (Outsystems), Cybersecurity, Data Analytics & AI, Quality Management, Automação ou com as solucões relacionadas com Customer Experience, já eram uma realidade antes deste período, potenciado pela integração da Noesis no Grupo Altia no início do ano, está em marcha e com perspetivas de concretização de alguns negócios a curto prazo. Por outro lado, continuamos a reforçar a nossa presença no Brasil, estamos a desenvolver a nossa presença na Holanda, para que seja cada vez mais um Hub para a região Benelux e Norte da Europa, sem esquecer a presença nos Estados Unidos da América que também pretendemos reforçar.

O que é que o coronavírus acelerou e o que alterou por completo na vossa empresa?

Ainda é difícil, nesta fase, retirar grandes conclusões nesse aspeto. Não creio que o coronavírus tenha implicado alguma alteração radical na organização. Estamos no sector tecnológico, o remote work já era uma realidade na organização, os nossos processos já estavam bastante digitalizados, por isso, diria que no aspeto funcional não houve lugar a grandes transformações. Naturalmente que os desafios que o mercado colocou e a necessidade de darmos resposta e anteciparmos necessidades dos nossos clientes nos obrigou a estarmos ainda mais atentos e a sermos mais ágeis nas nossas respostas e na nossa capacidade de adaptação.

Como é que está a ser preparado o regresso ao trabalho? Destacaria algumas medidas?

Felizmente durante todo este período permanecemos a operar com a normalidade possível e em pleno. Não enfrentámos situações de interrupção de serviço, nem a necessidade de parar a operação ou de colocar colaboradores em lay-off, por exemplo. Nesse sentido, não vamos propriamente “regressar ao trabalho”, vamos continuar a trabalhar como até aqui, a desenvolver projetos e a entregar com a mesma qualidade de sempre. Fisicamente permaneceremos em remote work até que todas as condições de segurança estejam asseguradas e faremos esse “desconfinamento” de forma gradual, com toda a calma e tranquilidade. As nossas instalações e diversos escritórios serão preparadas para esse regresso seguro e gradual e a nossa Direção de Human Capital está a preparar esse mesmo plano de regresso.

Até aqui, quais os impactos no negócio desta pandemia?

O principal impacto que sentimos foi o abrandamento no desenvolvimento de novos negócios, na medida em que esta situação originou o adiamento de alguns investimentos previstos pelos nossos clientes. Ainda assim, o impacto foi sentido de diferentes formas nas diferentes áreas de negócio da Noesis, no sentido inverso, sentimos também uma maior procura pelos nossos serviços de Cibersegurança ou na nossa área de enterprise solutions onde desenvolvemos, por exemplo, uma solução específica de chatbot para ajudar os Bancos a gerir os processos de pedidos de moratória de crédito. Como em qualquer situação de crise, sentimos o impacto negativo, mas também fomos capazes de descobrir novas oportunidades.

Que medidas foram desenhadas a esse nível?

Como é natural, foi necessário monitorizar a situação desde a primeira hora, de forma muito próxima e numa base praticamente diária. Não só ao nível da Gestão de topo, mas também ao nível das nossas áreas de negócio e Direção comercial, acompanhamos de perto a evolução da situação e o impacto no negócio por forma a conseguirmos ajustar no plano previsto para 2020 de forma ágil e adequada ao contexto. Em termos de gestão, o plano e objetivos para este ano foram, naturalmente, revistos, e foram também traçados diferentes cenários em função da análise que foi sendo feita, por forma a definir um plano de medidas de ajustamento a ser ativadas em função de cada um dos cenários previstos.

Em termos de responsabilidade social, que boas práticas da empresa ressalvaria?

A Noesis tem uma política e um plano de sustentabilidade e de responsabilidade social definido, implementado e constantemente atualizado, com diversas iniciativas ao longo do ano. Este contexto específico não representou qualquer alteração nessa matéria. Ainda assim, este foi um tempo onde se relevou o espírito altruísta e voluntário dos nossos talentos. A título de exemplo, e porque é uma iniciativa que merece ser promovida e destacada, assistimos a exemplos que muito nos orgulham, como a história de um nosso colaborador de Coimbra que dedica as suas noites a produzir viseiras para distribuição gratuita a diversas instituições da região. Essa iniciativa gerou um movimento de solidariedade interno, com colegas que doaram, cederam ou emprestaram impressoras 3D, donativos financeiros, compra de material e inúmeras manifestações de apoio e entreajuda, dentro da organização. Institucionalmente também apoiamos a iniciativa e doámos uma impressora e matéria prima, para que o nosso colega levasse a sua iniciativa adiante. O facto é que poucas semanas depois, o Rafael já tinha uma autêntica fábrica montada, numa gráfica que cedeu o seu espaço, e uma equipa de voluntários que todas as noites produz dezenas de viseiras. Este tipo de iniciativas, perfeitamente orgânicas e voluntárias, não fazem parte de um plano formal de responsabilidade social ou sustentabilidade, mas são também a prova da qualidade das nossas pessoas.

E que conselhos deixa aos portugueses que lideram outras empresas ou organizações?

Nesta fase estamos todos a viver esta situação em iguais condições, com acesso à mesma informação, com as mesmas dificuldades e incertezas, pelo que, creio não estar em condições para dar conselhos aos outros. Todos estamos a procurar lidar da melhor forma possível e, do que me tem sido dado a observar, as organizações em Portugal têm reagido, de forma geral, de forma adequada.

Na perspetiva de um gestor há sempre duas variáveis a que temos que estar especialmente atentos, por um lado, a componente humana, cumpre-nos garantir a segurança, a tranquilidade das nossas pessoas e salvaguardar postos de trabalho, isso é muito importante. Por outro, o negócio. É fundamental minimizar o impacto negativo para o negócio/organização deste período e procurar identificar e aproveitar as oportunidades que surgem deste contexto. Só desta forma se conseguirá garantir a sustentabilidade futura e assegurar que esta crise será passageira e circunstancial.

*Artigo publicado em Líder.