
Num artigo anterior, 5 Quality Engineering Challenges Slowing Down Enterprise Delivery, a Noesis explorou cinco dos principais desafios que afetam as equipas de QA e DevOps nas grandes organizações, incluindo a crescente dependência de especialistas técnicos para criar e manter testes automatizados.
Esta realidade levanta uma questão importante: quem pode, efetivamente, automatizar testes numa equipa? Durante anos, a automação de testes esteve fortemente associada a competências de programação e conhecimentos técnicos especializados. No entanto, a evolução das plataformas low-code e no-code está a mudar este cenário. Atualmente, os profissionais de QA, as equipas de negócio, os Product Owners e os analistas funcionais podem assumir um papel mais ativo neste processo.
Neste artigo, exploramos a importância desta mudança, de que forma a aproximação do conhecimento do negócio à atividade de testes pode melhorar a cobertura e como o testingON 360 torna a automação de testes acessível a um maior número de profissionais.
Porque é que a automação exigia conhecimentos de programação?
Durante anos, automatizar um teste implicava saber programá-lo. Ferramentas como Selenium, linguagens como Java e Python ou frameworks desenvolvidas internamente faziam parte do processo, a par do domínio de sintaxe técnica, controlo de versões e manutenção constante de scripts. Por isso, participar na automação de testes exigia competências sólidas de programação. Quem não tinha essa experiência não era excluído deliberadamente: eram as próprias ferramentas que limitavam a sua participação.
Nas equipas de maior dimensão, esta realidade rapidamente se tornava um obstáculo recorrente. Um profissional da área de negócio identificava um cenário que precisava efetivamente de ser testado: uma regra de conformidade, um fluxo de pagamento ou um processo específico de um cliente. Conhecia o requisito, compreendia o comportamento esperado e, muitas vezes, tinha a visão mais clara sobre o que poderia correr mal. No entanto, transformar esse conhecimento num teste automatizado continuava a exigir a intervenção de alguém capaz de o traduzir em código. O pedido ficava, assim, em espera até que um engenheiro de automação tivesse disponibilidade para o desenvolver.
Quando esta situação se repete em dezenas de funcionalidades e em várias releases por sprint, o problema torna-se difícil de ignorar. O desenvolvimento continua a avançar, enquanto a automação depende da disponibilidade dos profissionais com competências técnicas para criar e manter os testes. Não se trata de uma incapacidade das equipas para acompanhar o ritmo de desenvolvimento. São as próprias ferramentas que criam uma dependência que dificulta a expansão da automação.
O que acontece quando o teste é criado por quem não conhece o negócio?
Quando a responsabilidade pela criação de um teste passa de alguém que conhece o requisito de negócio para alguém que tem de o traduzir em código, existe o risco de se perder contexto importante ao longo do processo.
Imaginemos uma regra de conformidade com cinco exceções. O profissional da área de negócio responsável por essa regra conhece naturalmente todas as situações. Já o engenheiro de automação que a traduz para um script apenas tem acesso à informação incluída no pedido. E, muitas vezes, os pedidos não contemplam todas as exceções, situações-limite ou condições específicas.
O resultado pode ser um teste perfeitamente válido para a regra tal como foi descrita, mas não necessariamente para a forma como funciona na prática. Essa diferença pode não causar problemas de imediato. No entanto, alguns meses mais tarde, uma situação real pode revelar uma falha que o conjunto de testes nunca foi concebido para identificar.
A solução não passa apenas por melhorar a documentação dos pedidos. Passa por eliminar esta passagem de responsabilidade entre equipas. Quando a pessoa que conhece a regra consegue criar diretamente o teste, deixa de existir uma etapa de tradução onde essas exceções e particularidades se podem perder.
O mercado está a eliminar esta dependência
A adoção de soluções low-code e no-code está já consolidada em muitas organizações. A automação de testes acompanha esta evolução, dando origem aos chamados citizen developers: profissionais sem formação específica em programação que recorrem a ferramentas de desenvolvimento acessíveis para criar e gerir aplicações, fluxos de trabalho e processos automatizados.
Esta tendência começa também a refletir-se nas soluções de automação de testes. Mesmo fornecedores tradicionalmente associados à automação baseada em scripts estão a acompanhar esta mudança. A Tricentis tem publicado conteúdos sobre automação de testes sem código (codeless test automation), enquanto a Katalon tem explorado a crescente oferta de ferramentas de testes sem programação.
A mensagem é cada vez mais clara: a automação de testes já não tem de estar exclusivamente nas mãos de quem sabe programar. Os profissionais que conhecem os processos de negócio subjacentes aos testes podem agora assumir um papel mais ativo na sua criação e gestão.
Como o testingON 360 elimina as barreiras à automação de testes
O testingON 360 assenta precisamente neste princípio: automatizar um teste não deve exigir conhecimentos de programação.
A plataforma torna a automação de testes mais acessível através de várias funcionalidades:
- Abordagem no-code: os testes são criados através de uma interface visual e intuitiva, sem necessidade de recorrer a scripts;
- Especificação simplificada dos testes: cada teste é definido numa linguagem próxima dos próprios processos de negócio, em vez de recorrer a sintaxe técnica, aproximando quem cria o teste de quem conhece a aplicação;
- Criação e manutenção mais rápidas: ao eliminar a necessidade de escrever e manter scripts linha a linha, reduz-se significativamente o tempo entre a identificação de um cenário de teste e a sua automatização e execução;
- Acessível a diferentes equipas: profissionais de QA, equipas de negócio, Product Owners e analistas funcionais podem contribuir diretamente para a cobertura de testes, sem que cada cenário tenha de passar por uma equipa técnica centralizada.
Esta abordagem no-code é complementada pela profundidade técnica que as equipas especializadas procuram. O testingON 360 permite gerar cenários de teste e código em diferentes plataformas de programação, convertendo uma especificação manual num fluxo de trabalho automatizado, sem exigir que o profissional responsável pela criação do teste tenha de escrever código.
A plataforma permite ainda executar testes em escala, em diferentes ambientes e plataformas, recorrendo a mecanismos inteligentes de orquestração para gerir o processo. As suas funcionalidades de self-healing, suportadas por inteligência artificial, permitem também adaptar os testes à medida que as aplicações evoluem, reduzindo o esforço de manutenção.
Afinal, qualquer pessoa pode automatizar testes?
A resposta é cada vez mais afirmativa. Os profissionais de QA, as equipas de negócio, os Product Owners e os analistas funcionais podem agora automatizar os cenários mais comuns que compõem a maioria dos conjuntos de testes, incluindo fluxos de utilização, regras de negócio e verificações de conformidade. São, precisamente, cenários que estes profissionais muitas vezes conhecem melhor do que ninguém.
Existem, naturalmente, áreas que continuam a exigir conhecimentos especializados. Integrações complexas, testes de performance e arquitetura de testes requerem competências de engenharia que nenhuma interface consegue substituir. E isso não vai mudar.
A diferença está no facto de estas tarefas deixarem de ter de partilhar a mesma fila de trabalho com todos os restantes testes. Quando os cenários mais comuns podem ser tratados por quem melhor os conhece, os especialistas técnicos passam a poder concentrar-se nos problemas que exigem verdadeiramente a sua experiência.
O resultado é uma automação de testes mais distribuída, mais fácil de escalar e menos dependente de um pequeno grupo de especialistas para cada teste. A possibilidade de contribuir para a automação deixa, assim, de estar limitada a quem sabe programar.
Com o testingON 360, as organizações podem aproximar as equipas de QA, negócio e produto do processo de testes, promovendo uma responsabilidade partilhada pela qualidade ao longo de todo o ciclo de desenvolvimento e entrega de software.
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