Luzes e Tecnologia
NOESIS NOS MEDIA
24 março 2022

A escassez de recursos técnicos qualificados é uma realidade


“Pretendemos constituir-nos como um empregador de referência na região”. Leia a entrevista completa do Vida Económica a Nelson Pereira, CTO da Noesis.

Vida Económica - Como surgiu a ideia de abrir novos escritórios no interior do país?  
 
Nelson Pereira - Esta é uma estratégia que implementámos há muitos anos atrás, fruto de uma visão estratégica de aposta na criação de centros de competências descentralizados, com equipas especializadas, onde prestamos serviços aos nossos clientes, nacionais e internacionais. De forma remota, em regime de “nearshoreou offshore”, desenvolvemos projetos para todos os mercados onde operamos: Portugal, Espanha, Irlanda, Holanda, Brasil e Estados Unidos. Esta política iniciou-se em Coimbra, onde temos atualmente um centro de competência que já conta com mais de 150 colaboradores de distintas áreas de especialização, como “low-code solutions” (desenvolvimento “outsystems), “quality management” ou “devops & automation”. A abertura destes dois novos escritórios, na Guarda e na Covilhã, é mais um passo nessa estratégia. A Noesis sempre procurou criar estes polos de desenvolvimento intimamente ligados à comunidade académica e às universidades, apostando, por isso, em regiões com instituições de referência e capacidade formativa nas áreas da Engenharia e da Tecnologia. Operamos num setor altamente competitivo, onde a escassez de recursos é uma realidade, para além de ser um setor de inovação constante. Por isso, a aposta na formação assume particular importância.  
 
VE - Qual é o volume de emprego e o perfil dos novos colaboradores?  
 
NP - As equipas alocadas a estes novos escritórios vão reforçar maioritariamente as unidades de “low-code solution”s (desenvolvimento aplicacional na tecnologia “outsystems”), “quality management” (serviços de “quality assurance” e “testing”) e “devops & automation”. Não está, no entanto, excluída a contratação de outros perfis, que integrem qualquer outra área de negócio da Noesis, como, por exemplo, recursos com competências nas áreas de Data Analytics, Inteligência Artificial, ou “developers” em outras linguagens de programação. A expectativa é recrutarmos neste primeiro ano cerca de 40 colaboradores, na região. Já temos algumas contratações efetivadas e estamos a recrutar quer perfis recém-licenciados, oriundos da Universidade da Beira Interior e do Instituto Politécnico da Guarda, quer perfis mais seniores e com experiência no mercado.  
 
VE - Nas regiões do interior, como é o caso de Proença-a-Nova, Covilhã e Guarda, há menos densidade populacional, o que dificulta a contratação das equipas de trabalho.  
 
NP - Estes escritórios serão integralmente ocupados por novas contratações. São colaboradores que estamos a recrutar e a integrar na região. Já estamos a recrutar ativamente nestas cidades e já temos os nossos primeiros talentos selecionados. Este crescimento espera- -se gradual e, apesar de serem regiões com menor densidade populacional, como refere, são regiões que estão dotadas de instituições académicas muito relevantes, com muito boa capacidade formativa e que acolhem alunos de diversas regiões do país. Acreditamos que a nossa presença permitirá ajudar a fixar alguns desses jovens recém-licenciados, contribuindo assim para o desenvolvimento económico da Região. Até agora temos tido uma boa recetividade quer do mercado, quer da Universidade da Beira Interior e do Instituto Politécnico da Guarda, e estamos certos de que seremos capazes de contratar e formar equipas altamente qualificadas quer na Covilhã, quer na Guarda.  
 
VE - Normalmente, os novos colaboradores são naturais e residentes nas regiões do interior ou também mudam dos grandes centros para o interior?  
 
NP - Neste momento, os colaboradores que já contratámos são profissionais que residem na região, ainda assim, na nossa experiência encontramos diferentes contextos. Desde profissionais que são naturais da região, mas que se mudaram para os grandes centros, por falta de oportunidades de trabalho, e que encaram agora a possibilidade de regressar à sua terra natal. Também estudantes oriundos de outras zonas do país, mas que encaram a possibilidade de se fixar na região após a conclusão do curso, caso existam oportunidades de lá iniciarem a sua carreira profissional, até, acreditamos, profissionais oriundos do litoral, que procuram mudar de vida e usufruir de outra qualidade de vida, continuando a trabalhar na sua área. Acreditamos que as mudanças na forma de trabalhar poderão também ser um incentivo a essa mudança. Na Noesis promovemos um modelo de trabalho flexível e híbrido, por isso, entendemos ser importante estarmos presentes fisicamente na Covilhã e na Guarda, com escritórios que já estão adaptados e dimensionados a esta nova realidade. Ainda assim, acreditamos que esta presença física é também uma forma de reforçar a nossa presença enquanto marca, e, ao mesmo tempo, deixar clara a nossa aposta nesta Região, e o nosso compromisso com os talentos que queremos que façam parte da nossa equipa.  
 
VE - Para a abertura dos centros de competências, é fundamental a cooperação com as escolas regionais de Ensino Superior?  
 
NP - Sem dúvida. Tal como em Coimbra, procuramos sempre estar próximos de instituições académicas que sejam relevantes nas áreas de formação das engenharias, como é o caso da Universidade da Beira Interior e do Instituto Politécnico da Guarda. Pretendemos constituir-nos como um empregador de referência na região, possibilitando a integração profissional de jovens talentos oriundos destas instituições, sem que estes tenham de se deslocalizar para os grandes centros urbanos. Na Noesis queremos contribuir para o desenvolvimento económico destas regiões, mas também destas instituições académicas, oferecendo não só a possibilidade de retenção de talento nestas cidades, mas também, como estabelecimento de parcerias próximas e profícuas com a Universidade da Beira Interior e com o Instituto Politécnico da Guarda, que irão muito além do mero recrutamento de finalistas e recém- -licenciados. Estas parcerias passarão também pelo apoio dado a estas instituições no seu processo formativo, de modo a conseguirmos contribuir com o nosso conhecimento e know-how em diferentes tecnologias. Queremos apoiar estas instituições, através da transmissão de conhecimento aos estudantes, contribuindo para o enriquecimento curricular da sua formação.  
 
VE - Estão a ser equacionados novos centros de competências no interior?  
 
NP - Acreditamos fortemente nesta estratégia e que este é o caminho para continuarmos a crescer e sermos capazes de responder aos desafios do mercado e dos nossos clientes, num setor onde a escassez de recursos técnicos qualificados é uma realidade. Só apostando na formação de talentos e na criação destes centros de competência especializados será possível responder ao desafio. Assim, temos a ambição de continuar este caminho e abrir vários centros de competências espalhados pelo país. No curto prazo não está ainda prevista a abertura de novos centros, mas é algo que está considerado no nosso plano estratégico e que continuaremos nos próximos anos, seguindo a mesma lógica que levou à abertura dos polos de Coimbra, Guarda e Covilhã. 
 
Publicado em Vida Económica