Luzes e Tecnologia
NOESIS NOS MEDIA
01 fevereiro 2022

Oportunidades para crescer não faltam, assim haja recursos humanos


Continuar a crescer e expandir negócio é o rumo traçado pela Noesis.

Entrevista a Alexandre Rosa, CEO da Noesis

Aos 25 anos, que dimensão e projetos tem a Noesis?
 
A Noesis nasceu há 25 anos, fundada em Portugal e por portugueses, com uma visão estratégica de internacionalização. Esse movimento iniciou-se pouco tempo depois da fundação e temos mantido o caminho. Hoje mais do que uma empresa portuguesa, somos uma consultora tecnológica internacional, posição reforçada com a integração no Grupo Altia, de origem espanhola, em 2020. Atualmente, temos perto de mil colaboradores e operamos com escritórios e equipas locais em Portugal, Espanha, Holanda, Irlanda, Estados Unidos e Brasil.
 
De que forma a transição digital pode ser um empurrão para desenvolver mais negócio?
 
Vivemos tempos entusiasmantes no que toca à tecnologia, com a aceleração brutal dos últimos anos. As inovações tecnológicas constantes têm permitido às organizações dar saltos muito significativos no que toca à modernização e eficiência. Basta ver para o contexto atual, com a alteração de paradigma no que toca à forma de trabalhar, a padrões de consumo, surgimento de novos modelos de negócio e empresas nativas digitais, para constatar como a transição digital tem sido um acelerador da economia e das empresas. 
 
Com a democratização da cloud, a digitalização de canais de venda e de interação com clientes, a automação, a quantidade de dados gerados e acessíveis para a tomada de decisão, entre tantos desenvolvimentos tecnológicos, os benefícios para as organizações são muito significativos. É cada vez mais consensual que as empresas que não forem capazes de acompanhar a aceleração digital, não sobreviverão. Esse é o grande desafio que se coloca aos gestores: como tirar partido de todo o potencial que a tecnologia oferece para tornarem os seus negócios mais eficientes e competitivos.
 
A tecnologia assumiu um papel preponderante nesta crise pandémica e acelerou brutalmente a digitalização e soluções tecnológicas rumo à descarbonização. Isso refletiu-se na Noesis?
 
Na Noesis o impacto da pandemia dividiu-se em dois momentos. Nos primeiros meses de confinamento, em que incerteza e insegurança vigoraram, sentimos um claro abrandamento no mercado, com projetos adiados e muitas decisões de investimento de clientes suspensas. A principal preocupação, nessa altura, esteve relacionada com a segurança dos nossos colaboradores, que rapidamente foram colocados em teletrabalho, e com a necessidade de estarmos próximos dos clientes para os apoiarmos, quer em termos da sua resiliência e continuidade do negócio quer no necessário apoio à migração massiva dos seus colaboradores para o regime remoto, com todos os desafios que essa migração significou ao nível dos sistemas informáticos e infraestrutura tecnológica. Findo esse primeiro período, sentimos uma forte aceleração do mercado nas diferentes áreas da transformação digital. 
 
Várias organizações viram-se obrigadas a acelerar o roadmap de transformação e a antecipar ou aumentar investimentos em IT, em áreas tão distintas como as infraestruturas, cloud, cibersegurança, soluções de produtividade ou customer experience. Este cenário constituiu uma oportunidade significativa para a Noesis, enquanto player de referência nestas áreas, tendo-se verificado um crescimento do volume de negócios no segundo semestre de 2020, situação que se manteve em 2021 e nos permite continuar a crescer.

A desmaterialização que vem da digitalização também ajuda a tornar mais rápidos e simples processos de internacionalização?
 
A internacionalização faz parte do nosso ADN e sempre fez parte da nossa estratégia, por isso não influenciou de forma direta. Ainda assim, o que verificamos no mercado e nos nossos clientes internacionais é maior abertura a abordagens de trabalho remotas, em regime de nearshore e offshore. Se antes havia ainda alguma dificuldade em fazer vingar estes conceitos, em clientes internacionais onde existia alguma pressão ou mesmo obrigatoriedade de termos equipas locais, alocadas e a trabalhar nas instalações, a situação pandémica e a rápida aceleração digital vieram normalizar a ideia do trabalho remoto. Nesse sentido, também foi um impulso interessante para a ideia de serviço em nearshore/offshore. 
 
No fundo, os clientes estão cada vez mais recetivos à ideia de podermos ter um centro de competências, por exemplo, sediado em Portugal, com recursos altamente preparados e qualificados em determinadas tecnologias e que possam estar a prestar serviços a um cliente na Holanda. Esta abordagem não é nova e também na Noesis já era uma realidade há muito, mas o contexto veio abrir novas oportunidades a esse modelo. Desta forma, a internacionalização está também facilitada, na medida em que podemos chegar a novos mercados e exportar serviços sem ter de, necessariamente, abrir um escritório local, repatriar colaboradores ou investir na criação de equipas locais. Esta realidade pode ser uma boa oportunidade para algumas empresas portuguesas.

Há novos destinos de negócios em vista, além dos países onde já têm presença física?
 
No curto prazo olhamos para a possibilidade de expandir o negócio a novas geografias, embora não esteja prevista a abertura de novos escritórios. O plano é mantermo-nos nos seis países onde operamos e onde temos ainda ambição de expandir e crescer atividade. Em especial na Irlanda e nos EUA, dois mercados onde sabemos que a nossa presença ainda tem grande margem de crescimento e expansão e onde nos queremos tornar mais relevantes. 
 
Relativamente a novas geografias, o plano passa por explorar algumas das regiões onde estamos com escritórios que funcionem como hub para desenvolvimento de projetos em países limítrofes. É o caso do escritório e operação na Holanda, de onde estamos a desenvolver projetos para toda a região Benelux e os mercados da Alemanha e países nórdicos. Também na Irlanda queremos fazer esse caminho, abrangendo clientes de todo o Reino Unido. A estratégia para os próximos anos baseia-se, portanto, por um lado no reforço das operações nos países onde estamos e por outro na expansão a países vizinhos ou regiões limítrofes onde possamos desenvolver projetos de forma remota.

Que investimentos têm planeados para os próximos 5 anos e em que áreas prioritárias? Pode o PRR ser uma oportunidade para esses planos?
 
Olhamos para o PRR como uma oportunidade para as empresas se tornarem mais competitivas e muitas delas darem o salto definitivo na transformação digital. Nesse sentido, este tipo de incentivos à competitividade das organizações, sejam públicas ou privadas, é também uma oportunidade para a Noesis. Operamos sob o lema Helping your business grow faster e esse é o nosso grande propósito - apoiar as organizações nas suas jornadas de transformação digital e apoiar os nossos clientes a que se tornem mais competitivos e eficientes no seu negócio, com recurso à tecnologia.

A transformação digital também está a trazer problemas ao nível dos recursos humanos. Têm sentido dificuldades em recrutar?
 
A Noesis opera no mercado IT e das tecnologias, que é altamente competitivo e de pleno emprego. O setor tem atravessado um período pujante de desenvolvimento o que criou um contexto onde escasseiam os recursos técnicos qualificados e a necessidade é muito superior à oferta. É o grande desafio de crescimento atual das organizações que operam no setor: não faltam oportunidades para crescer e desenvolver negócio, assim exista capacidade em recursos humanos. Por esse motivo os temas do employer branding estão cada vez mais no centro da estratégia das organizações. É necessário trabalhar para sermos uma marca cada vez mais relevante, não só ao nível da capacidade de atrair talento, mas também de o reter. Os temas de people e employer branding são um dos pilares centrais do nosso plano estratégico 2021-2023 e está em marcha um conjunto de iniciativas visando esse objetivo.
 
Publicado em Dinheiro Vivo