Luzes e Tecnologia
NOESIS NOS MEDIA
02 dezembro 2020

A grande medida que as organizações podem adotar é flexibilizar, in RHmagazine


Teresa Lopes Gândara, Human Capital Director na Noesis, deu uma entrevista à RHmagazine onde apresentou a sua visão estratégica para a gestão dos recursos humanos da Noesis

Por Teresa Lopes Gândara, Human Capital Director na Noesis 

A Noesis, consultora tecnológica internacional que oferece serviços de IT, tem como um dos seus objetivos estimular a entrada de mulheres no setor tecnológico. Nesta empresa, já 30% dos talentos são mulheres, e 14 mulheres assumem cargos de liderança.

No âmbito do tema “women in tech”, a Noesis participa em várias iniciativas, bem como incentiva a mobilidade de equipa, de forma a que os seus colaboradores possam exercer as funções de que mais gostam. De modo a perceber como isto é feito, e como é que a Noesis está a trabalhar para atingir o seu objetivo, a RHmagazine foi falar com Teresa Lopes Gândara, Human Capital Director da Noesis, que conta com quase 30 anos de experiência em estratégia e desenvolvimento de recursos humanos em multinacionais do setor tecnológico. Teresa Lopes Gândara encontra-se na Noesis há mais de 11 anos.


A média de mulheres que incorporam cargos no setor tecnológico ainda é baixa em Portugal. A Noesis tem como um dos seus objetivos estimular a entrada das mulheres neste setor. De que forma é que este objetivo está a ser conseguido? O que está a Noesis a fazer nesse sentido?

Atualmente, cerca de 30% do headcount da Noesis são mulheres, uma percentagem que sabemos ser acima da média em Portugal e no nosso setor. A atratividade da empresa para este segmento está intimamente relacionada com as condições que são disponibilizadas para todos os nossos talentos: uma gestão por objetivos, um equilíbrio entre vida profissional e pessoal, os benefícios atribuídos, como é o caso, por exemplo, da excelente cobertura que temos no nosso seguro de saúde para partos e do incentivo à família que atribuímos.
Não sendo condições especificamente direcionadas para as mulheres, sabemos que são um fator decisivo na hora de escolher ingressar numa organização.

 

O que está a falhar para não vermos mais mulheres neste setor?

Trata-se de uma questão cultural que as recentes gerações têm vindo a contrariar. Já vemos muitas jovens nas universidades e nos institutos politécnicos em cursos que, há uns anos, eram exclusivamente frequentados por estudantes do sexo masculino. Na área tecnológica, não há distinção entre funções de homem ou mulher.
As limitações são sobretudo a nível social e cultural, as mulheres/mães continuam a ser as que maioritariamente ficam com os filhos em caso de assistência, por exemplo. Mais do que as limitações impostas pelo mercado e pelas empresas, pelo menos, no setor IT.


Possui quase 30 anos de experiência em Estratégia e Desenvolvimento de Recursos Humanos em multinacionais no setor tecnológico. De acordo com a sua experiência profissional, o que podem as empresas do setor fazer, ou que iniciativas podem implementar, para estimular a entrada de mulheres?

Iniciei a minha carreira como consultora de gestão, na área de organização e processos, e posteriormente como implementadora de ERP, o que me permitiu conhecer as várias vertentes de uma empresa e me dotou de uma experiência extremamente valiosa quando me foquei no Capital Humano.

Também as referências que vão existindo de casos de sucesso de mulheres em posições de destaque são um incentivo para as mais jovens e para que uma carreira no mundo da tecnologia seja atrativa.

Não digo que seja fácil, pois muitas vezes as mulheres são colocadas numa posição onde têm de escolher entre a carreira e a vida pessoal. É essa cultura e forma de organização social que todos temos de combater. As empresas e as políticas de Human Capital devem fazer a diferença. A minha experiência diz-me que é possível conciliar a dimensão profissional e familiar. Implica um esforço acrescido, talvez, mas é recompensador nos dois lados.


A Noesis incentiva a mobilidade de equipa de forma a que os seus colaboradores possam sempre exercer as funções que mais gostam. De que forma é feito este incentivo?

Na Noesis promovemos um acompanhamento de proximidade dos responsáveis e líderes de equipas, o que nos permite antecipar situações de desmotivação e cansaço. Temos uma cultura aberta onde o acesso aos coordenadores e à equipa de Human Capital é incentivada. Desta forma, procuramos acompanhar o percurso dos nossos talentos na empresa e encontrar o melhor fit entre aquilo que a empresa tem para oferecer e o que procuram. O objetivo principal é reter os nossos melhores talentos e proporcionar-lhes opções de carreira e progressão no seio da organização. Acreditamos que desta forma, todos saímos a ganhar. Equipas motivadas são equipas mais produtivas, disso não temos qualquer dúvida.

 

De um modo geral, a pandemia veio intensificar a desigualdade de género nas empresas, e existem inclusive iniciativas e programas que lutam contra essa mesma desigualdade, e que têm como objetivo aumentar o número de mulheres em cargos de direção. Na sua opinião, o que está a causar este cenário? Como podem as empresas lutar também contra este cenário?

Pelo facto de estarmos a trabalhar de casa e também pelo confinamento a que fomos obrigados, muitas famílias viram o seu dia a dia alterado de forma radical, com a sobreposição das tarefas profissionais com as tarefas domésticas e com uma mistura entre esses dois “universos”. Esta situação criou maior tensão no seio familiar e, eventualmente, algumas das questões culturais referidas anteriormente colocaram as mulheres sob maior pressão. O cenário que traçou, no entanto, não é um cenário que se tenha verificado na Noesis.

O número de mulheres em cargos de direção tem vindo a aumentar e estou certa que irá continuar a aumentar nos próximos anos. Assistimos a mudanças significativas no mercado de trabalho, na forma de trabalhar e na forma como as novas gerações olham para a sua carreira, para as suas ambições e propósitos.

Se olharmos para o nosso setor, e para a nossa empresa, a gestão de competências e de carreiras é feita independentemente do género, razão pela qual vemos cada vez mais mulheres em cargos de relevância.

 

Como tem sido gerir uma equipa tão grande no contexto atual em que vivemos? Por estarem inseridos no setor tecnológico, o teletrabalho já vos é algo habitual?

A Noesis conta atualmente com cerca de 940 colaboradores sediados em Portugal, Holanda e Brasil. Na Noesis o trabalho remoto já era uma realidade, nomeadamente na prestação de serviços para outras geografias, pelo que a adoção do teletrabalho foi uma alteração na grande maioria dos casos, muito simples e fácil. A principal mudança foi a alteração dos nossos espaços de trabalho dos escritórios da empresa ou dos nossos clientes para a nossa casa, num momento de confinamento, ou seja, diferente de um regime de teletrabalho “normal”. Passámos a trabalhar na sala, na cozinha, com os outros membros do nosso agregado familiar, com as crianças com horários nem sempre compatíveis com as nossas obrigações, mas ajustámo-nos e conseguimos manter uma boa produtividade e a proximidade possível com a empresa. Quando nos foi possível, retomámos as idas ao escritório, de forma gradual, com todas as medidas de segurança, mantendo um modelo misto de trabalho que acreditamos que será a realidade no futuro próximo.

 
 
Artigo publicado em RHmagazine
Eduardo Vilaça
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